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Geografia |
ANGRA DO HEROÍSMO
Cidade
de cunho senhorial, cujo traçado urbanístico provém do séc. XVI e o casario dos
sécs. XVII e XVIII, a capital da ilha Terceira foi durante mais de três séculos
o ponto de cruzamento entre a Europa, a África e as Américas, devido à situação
que ocupava no centro da Rota dos Sargaços. Por isso, Angra do Heroísmo, que já
era monumento regional, foi declarada em 1983 pela
UNESCO “património
histórico mundial”, o que dá bem a medida da importância do seu valor
histórico-cultural. O seu centro, que nasce a partir da angra sobre a qual se
debruça a cidade, apresenta-se com uma fisionomia urbanística de traça linear,
subindo suavemente no sentido norte, sendo digna de realce a Rua de Lisboa que,
partindo do cais, atinge a Praça da Restauração, onde se ergue o majestoso
palácio dos Paços do Concelho. No velho casario branco, emoldurado pelas
verdejantes montanhas que constituem o pano de fundo da cidade, mostra-se o
estilo da típica casa rural portuguesa, de um só piso e escrupulosamente caiada,
que se singulariza dos outros exemplares dessiminados quer no Arquipélago quer
no Continente pela curiosa utilização, obrigatória, da característica janela da
guilhotina.
Sé Catedral
- Construída nos moldes da arquitectura filipina (fins do séc. XVI), sobre uma
igreja gótica (séc. XV).
Apresenta no seu interior pormenores de grande interesse como: a enorme
capela-mor, ao modo de charola; o tecto esculpido em cedro; azulejos, imagens,
pinturas e pratas do séc. XVII; uma sacristia com móveis de jacarandá e um
tesouro rico, com uma galeria de retratos a óleo dos prelados diocesanos,
alfaias e paramentos religiosos entre os quais um magnífico pontifical de D.
João V.
Palácio dos Capitães-Generais (Colégio dos
Jesuítas) - Antigo Colégio dos Jesuítas,
adaptado a residência dos Capitães-Generais a partir de 1776, foi recebendo, ao
longo dos tempos, um valioso recheio em mobiliário, telas e outras obras de
arte. Há uma sala com retratos a óleo, em tamanho natural, dos reis da dinastia
de Bragança até D. Maria II. A Igreja anexa, construção de meados do séc. XVII,
é notável pelas suas talhas, dourados (alguns deles sobre a própria pedra),
estatuária e painéis de pintura seiscentista. Possui, ainda, a melhor colecção
de azulejos holandeses do séc. XVII existente fora da Holanda.

Castelo de São João Baptista
- Mandado edificar por Filipe II de Espanha, na base do Monte Brasil, é uma das
mais imponentes fortalezas portuguesas dos sécs. XVI-XVII. O seu pórtico
principal, lavrado em cantaria negra e coroado pelas armas reais, a ponte dos
arcos, os torreões, o sistema de fossos e um interior rico, com a Igreja de São
João Baptista e o Palácio dos Governadores do Castelo, fazem desta fortificação
um dos mais grandiosos monumentos do País. Nele estiveram presas figuras
célebres, como Gungunhana e D. Afonso VI.
Castelo de São Sebastião
- Sobranceiro ao Porto de Pipas, foi mandado edificar no tempo de D. Sebastião
(séc. XVI)
Paços do Concelho
- Majestosa construção do séc. XIX, no local da anterior Casa da Câmara do séc.
XVII. Conserva a primeira bandeira azul e branca da monarquia, bordada
pessoalmente pela rainha D. Maria II.
Convento e Igreja de São Francisco
- Construção do séc. XVIII, edificada sobre duas anteriores clausuras da ordem
franciscana.
É um imponente edifício de grandes dimensões, de linhas austeras, com as
fachadas marcadas pelas pilatras e vãos das janelas.
A Igreja anexa, dedicada a nossa Senhora da Guia, apresenta um interior de três
naves, dividido por duas ordens de arcos que evocam a arquitectura românica.
O seu conjunto de preciosidades artísticas é notável, destacando-se os retábulos
em talha dourada nos altares, imagens e pinturas barrocas e grandes composições
em azulejos com paisagens, na capela mor, e cenas da vida de São Francisco, no
coro.
Na sacristia, tecto em madeira de cedro, com talha dourada, arcaz de jacarandá,
fontanário de pedra lavrada e imagens em marfim indo-portuguesas.
Na primeira capela da Nossa Senhora da Guia, fundada em finais do séc. XV, foi
dada sepultura ao Capitão Vaz Côrte-Real e ao irmão do navegador Vasco da Gama,
Paulo da Gama, morto na viagem de regresso da índia, em 1499.
Museu de Angra do Heroísmo
- Instalado no antigo Convento de São Francisco, alberga a principal unidade
museológica da ilha Terceira.
As suas notáveis colecções pretendem mostrar uma panorâmica da história da
cidade e da ilha, das relações com outras ilhas do arquipélago e o espaço mais
alargado criado pelo tráfego internacional dos sécs. XV a XVIII. Esta "viagem" ao
passado é organizada através de quatro momentos: o conhecimento das ilhas dos
Açores; Angra, os Açores e o Mundo; da capitania geral ao liberalismo; e da
segunda metade de oitocentos à actualidade.
O Museu de Angra integra, ainda, três exposições permanentes: pintura açoriana
sobre madeira (sécs. VI e , uma bateria de artilharia Scheineder - Canet,
vinda para os Açores durante a I Grande Guerra Mundial, sendo um exemplar único
no mundo, e "Memórias de um Edifício".
Museu Vulcanoespeleológico
- Reúne uma interessante colecção de materiais vulcânicos recolhidos pela
Sociedade de Exploração Espeleológica "os Montanheiros", durante as suas
explorações em grutas e túneis vulcânicos. A complementar, existe uma curiosa
exposição de fotografias sobre fenómenos vulcânicos.
Alto da Memória
- Obelisco recordando a presença do rei D. Pedro IV na cidade de Angra. Erguido
no local do primeiro castelo da cidade (sécs. XV-XVI).
Igreja de Nossa Senhora da Conceição
- Construção do séc. XVI, em estilo barroco. Capela-mor em talha dourada.
Sacristia com mobiliário em jacarandá (séc. XVIII).
Igreja de São Mateus
- De construção recente, sécs. XIX-XX. Imagem de São Mateus (séc. XVI) e da
Virgem (Mestres da Sé d’Angra, séc. XVII).
Ermida de Nossa Senhora da Luz
- Abriga uma imagem da Virgem e o Menino, de origem flamenga (séc. XVI).
Forte Grande e Forte do Negrito
- Restos das antigas fortificações da ilha, erguidas no séc. XVI, para defesa da
invasão espanhola.
Igreja de São Gonçalo
- Edifício do séc. XVII, reunindo no seu interior um valioso recheio. Altar em
talha dourada, azulejos, imagens e pintura dos sécs. XVII e XVIII. Interessante
claustro do séc. XVI.
Igreja da Misericórdia
- Edifício do séc. XVIII. Interessante colecção de escultura e pintura (séc.
XVIII).
Igreja de Santa Bárbara
- Construção do séc. XV, alterada posteriormente. Altares de talha dourada.
Imagem da padroeira em pedra Ançã.
Palácio Bettencourt
- Edifício de arquitectura Barroca, edificado nos finais do século XVII,
primórdios do séc. XVIII. Na fachada principal possui um belo pórtico lavrado em
cantaria da região, constituído por duas colunas salomónicas encimadas por
capitéis compósitos e arquitrave e uma ampla cartela que envolve a pedra de
armas da família Bettencourt. Possui, ainda, salas com abóbadas e tectos
apainelados de madeira de cedro local e do Brasil. Este palácio constitui um bom
exemplo das casas solarengas de Angra.
Neste monumento histórico encontra-se instalada a
Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo.
Sendo uma das melhores bibliotecas do nosso país, possui um valioso património
em que se destaca a biblioteca municipal (em depósito), as secções de monografia
e de publicações em série, as bibliotecas de Vitorino Nemésio e de José
Agostinho e, ainda, algumas das primeiras obras impressas nos Açores. Será
também digno de realce o seu vasto arquivo de documentação histórica.
Solar da Madre de Deus
- Óptimo exemplo de casa solarenga dos séculos XVII/XVIII, típica das zonas mais
altas das cidades portuárias das ilhas e ultramar.
Os solares dos Côrte-Reais, dos Canto, dos Sieuve de Menezes, são outras tantas
construções que dão à cidade aspectos dignos de admiração.
-São Sebastião
Local onde se realizou o primeiro povoamento da
Ilha.
Igreja de São Sebastião
- De estrutura gótica, data do povoamento da ilha (sécs. XV-XVI). O portal,
arcos e abóbada da capela e alguns frescos merecem especial atenção. Imagens e
pinturas (séc. XVI).
Próximo, na Ribeira de S. Sebastião, antigas azenhas (sécs. XV-XVI) animam a
paisagem.
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